México além das praias

Quando se pensa em turismo no México, logo nos vem a cabeça Cancún, Riviera Maya, Playa del Carmen, Baja California, enfim, praias, praias e mais praias. No entanto este pais é riquíssimo em sua diversidade de fauna e flora e concilia o luxo e o conforto provenientes de investimentos de grandes grupos com o rústico e o natural preservado por algumas tribos locais.

Chiapas

Chiapas é considerado o estado mexicano com o maior número de povos indígenas e a maior biodiversidade em todo o país. Ao norte de Chiapas está o estado de Tabasco, a oeste Veracruz e Oaxaca, ao sul o oceano Pacífico e a leste está a divisa com a Guatemala, onde se encontra a selva Lacandona.

 

Cañon del Sumidero

 

Capital:Tuxtla-Gutiérrez e Cañon del Sumidero

 

Cachoeira que lembra árvore de natal nas paredes do Cañon del Sumidero

 

Sua capital, Tuxtla-Gutiérrez, com quase 1 milhão de habitantes, não é muito atrativa para os turistas, no entanto, a cerca de 20 km está situado o “Cañon Del Sumidero”, falha geológica com paredes de até mil metros de altura por onde correm as águas do rio “Grijalva”. Há poucos anos o governo mexicano liberou parte deste trajeto para visitação e hoje alguns guias turísticos oferecem o serviço de transporte em traineiras e pequenos barcos e, por menos de vinte dólares, é possível ver crocodilos, lagartos, macacos, patos, pássaros, uma cachoeira que corta essas imensas paredes com sua forma que lembra uma árvore de natal e muito mais.

 

Cinco Lagunas

 

Lagos de Montebello

 

Laguna Esmeralda

Outro cenário natural imperdível em Chiapas é o  “Parque Nacional Lagunas de Montebello”. A duas horas e meia da capital se encontra esta área, de cerca de 6000 hectares de extensão, que reúne 59 lagos de água limpa cuja cor varia do azul escuro ao turquesa e verde claro, quase cristalino. No entanto, apenas 17 estão abertas para visitas, sendo 9 delas de fácil acesso.  As primeiras do percurso são as lagoas “Encantada”, de água azul, “Ensueño” e “Esmeralda” que apresenta uma coloração verde tal qual o nome que leva. A uma curta distancia está a lagoa “Tziscao” que marca os limites entre México e Guatemala, cerceada pela selva “Lacandona” e seguindo o trajeto chegamos nas “Cinco Lagunas” que compõem um cenário natural onde qualquer pessoa pode perder horas admirando toda a diversidade de vida existente e a combinação de cores tanto da mata quanto da água que varia em tons de azul e verde até ficar completamente cristalina.

Laguna Tziscao – divida com a Guatemala

Cachoeira vista da estrada

 

Cachoeiras

No caminho para as “Lagunas Montebello”, passamos por alguns povoados com influência indígena, e o parque ecológico onde estão as cachoeiras “Velo de Novia”, “Quinzeañeras” e “Arco-Íris”, que podemos ver desde muito antes de chegarmos, ainda na rodovia, devido a seu tamanho e forte fluxo de água. Neste parque é possível alugar cabanas com churrasqueiras para passar o dia, fazer camping e arborismo.



O que comer?

 

Tenda de tacos e tortilhas

 

Para saciar a fome durante estes passeios, existem tendas em alguns pontos do percurso que oferecem as tradicionais tortilhas mexicanas e chile, porsupuesto! Basta escolher uma das rústicas tendas e pedir por seus tacos, quesadilhas, consumê e também chocolate caseiro. Nesta região do México é possível encontrar muitos    produtos originários da Guatemala como refrigerante, cerveja, café de altitude, sucos e até gomas de mascar.

 

Praça central em San Cristóbal de las Casas

 

San Cristobal de las Casas: puro romantismo, cultura e muitas igrejas

Como dito anteriormente, Tuxtla-Gutiérrez não oferece atrativos turísticos, assim, a melhor opção de hospedagem e parada obrigatória para todos de passagem por Chiapas, é San Cristobal de las Casas, fundada em 1528. Denominada Pueblo Mágico (Povoado Mágico) pela Secretaria de Turismo, a cidade é caminho certo de muitos americanos e europeus. Antiga capital do estado e atual capital da cultura, se desenvolveu no meio do Vale de Jovel e está a mais de 2.100 metros de altitude. Sua atmosfera colonial, clima fresco, cafés espalhados pelo centro da cidade e arquitetura que mescla estilos barroco, gótico, clássico e neoclássico fazem de San Cristóbal de las Casas uma cidade romântica e aconchegante, no melhor estilo da Europa antiga.

 

Mercado de Doces e Artesanatos (San Cristóbal de las Casas)

 

Com muita história a ser contada e ilustrada pelas diversas construções preservadas por séculos, a capital cultural também se caracteriza por seu mercado de artesanatos onde encontramos roupas, jóias, bijuterias, acessórios, doces e comidas típicas. Todos os anos o governo municipal prepara três grandes festivais: Semana Santa (Páscoa), Feria de La Primavera y de La Paz e Día de los Muertos (em novembro), cuja celebração é uma tradição no México.

Veja o Calendário!

 

Catedral de San Cristóbal; Igreja de Santa Lucía; Igreja de Santo Domingo

 

Índios de San Juan Chamula

 

Ruínas da Igreja de San Sebástian em San Juan Chamula

 

Vizinha a esta cidade está o povoado San Juan Chamula, a 2200 metros de altitude e 58.920 habitantes, descendentes dos mayas que ainda falam o Tzotzil, língua indígena original. Este povoado se formou depois da derrota dos índios chiapanecos na batalha de 1524 e está situado em um vale que, segundo suas crenças, foi o lugar escolhido por São João Batista.

Logo na entrada da cidade estão as ruínas da igreja San Sebastian, de estilo barroco, construída com pedra bruta. No mesmo local também se encontra o cemitério, marcado por pequenos morros de terra e cruzes que determinam os lugares sagrados e túmulos da região. As cruzes são de diferentes cores, cada uma para um grupo de mortos. Azuis para as crianças, brancas para os jovens e pretas para os idosos.

 

Igreja de San Bautista em San Juan Chamula

 

A praça central é a sede das autoridades civis e religiosas, do mercado onde são negociados tudo que é produzido na cidade como artesanatos, frutas, verduras e legumes típicos da região, e também da igreja de San Juan Bautista.

Esta igreja é a única que ainda funciona na cidade e precisa comportar seus habitantes, por isso, foi decorada sem bancos, apenas com imagens de santos protegidos por vidros nas paredes e, no altar que está no fundo, fica a imagem de São João Batista, padroeiro da cidade. Isso seria extremamente comum, não fossem os rituais praticados por seus devotos. O aspecto que mais se sobressai nesta igreja é, com certeza, sua atmosfera mística!

A emotividade começa antes mesmo de chegar, com todas as histórias que os guias contam. Os turistas precisam pagar uma tarifa para visitar a igreja e NÃO PODEM, DE FORMA ALGUMA, FOTOGRAFAR seu interior. Na verdade, nenhum chamula gosta de ser fotografado, pois acreditam que sua alma fica presa dentro da câmera e, por segurança, as fotografias devem ser feitas com descrição. Depois de entrar pela pequena porta aberta após a apresentação do comprovante de pagamento, vi o lugar mais esotérico de toda minha vida.

Os santos que adornam as paredes são vestidos com roupas coloridas feitas pelos próprios moradores e em todos notamos flores e espelhos que servem para refletir as más energias que podem atacá-los. O piso é coberto por folhas de pinheiros, árvore típica da região, e que dizem ser capaz de absorver essas energias negativas, e estava quase todo ocupado por famílias ou grupos pequenos de pessoas rezando, pedindo por algo ou agradecendo.

 

Mulher carregando o filho e uma galinha para a igreja San Juan Bautista

 

Um dos grupos estava pedindo pela cura de uma mulher e em troca oferecia a vida de uma galinha. Dentro de um círculo formado por velas acesas, rezavam e bebiam posh, bebida alcoólica típica feita a partir da fermetação do milho, enquanto o curandeiro fazia a oferenda, tudo em tzotzil. Suas palavras se misturavam em tons baixos de vozes até o barulho da galinha me distrair e eu perceber que o “mestre” tinha quebrado seu pescoço. Ainda segundo suas crenças, ao arrotar as pessoas expelem os maus espíritos que as invadem, e para isso, bebem coca-cola misturada ao posh, ou qualquer outro refrigerante gasoso.

Zinacantan

 

Mulher tecendo em Zinacantan

 

Dali seguimos para Zinacantan, outro povoado de língua Tzotzil, cuja renda dos moradores está baseada no cultivo de flores e na confecção manual de tecidos  e artesanatos. Neste pequeno povoado de menos de 30.000 habitantes é possível visitar donas de casa costurando em seus teares e fazendo as famosas tortilhas mexicanas!

O turismo por Chiapas é basicamente isso, ecoturismo, aventura, história e cultura ancestral. Paisagens lindas, construções em muitos estilos diferentes e uma atmosfera de romantismo responsável por todo o charme desta região de um país tropical com muitas semelhanças com o Brasil, com algumas vantagens, como por exemplo, ser mais fácil o acesso a povoados indígenas e a preservação de sua cultura e da natureza.

 

Tortilhas!

 

 

Trajes usados no dia do casamento pelos noivos em Zinacantan

 

 

Rua do centro de San Cristobal de las Casas

 

 

Traje típico utilizado na região

Traje típico utilizado na região

 

 

Altar Templo de el Carmen en San Cristóbal de las Casas

 

Serviço:

Viaje pelo México

Onde se hospedar em San Cristobal de las Casas:

Holiday Inn

San Juan de Dios

Créditos das imagens: Fernanda Cavalcante

Sobre tete a tete de menina

Fashion journalist
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