Sobre nós mesmos e aqueles que nos são importantes

Imagem divulgação

Em 2008, depois de alguns momentos de muita dor, escrevi este texto e resolvi colocá-lo aqui por achá-lo extremamente verdadeiro e atual, mesmo dois anos e meio depois…

Discutimos tanto sobre homens, sobre relacionamentos, tentamos entender e discutir razões e motivos muitas vezes indiscutíveis, por serem apenas frutos de nossos sonhos ambiciosos de contos de fadas e que não são recíprocos. Pensamos tanto sobre isso, nos desgastamos e o resultado? O resultado não existe! Ali ficamos a mercê das ações de terceiros, torcendo para que aconteça aquilo que esperamos, ali ficamos perdendo nosso tempo.

Por que não pensamos sobre nós mesmos? Será que fazemos isso? Quando pergunto se pensamos e tentamos analisar nossas vidas, quero dizer encarar os fatos e a realidade e não nos vermos como um espectador sentado na platéia de um teatro assistindo a si próprio no papel do protagonista ideal de nós mesmos.

A todo momento ouvimos críticas e elogios, mas sabemos separar os que realmente nos cabem? Sabemos distinguir o elogio feito por alguém que conhece o fato e diz com o coração essas palavras que nos fazem vibrar? Ou será que colocamos estas pessoas que nos presenteiam sua sinceridade no mesmo grupo daquelas que nos elogiam apenas porque sabem que isso desarma qualquer um que esteja na defensiva e cria um ambiente amigável e favorável a ela!

E com relação a críticas? Sabemos escutá-las e descartar as baseadas em sentimentos ruins e mentiras e separar a dolorida, muitas vezes vergonhosa, verdade e com isso tentar crescer, tornarmo-nos mais maduros, sabemos aprender com os erros?

Por que preferimos falar sobre relacionamentos mal sucedidos sempre colocando o foco no outro e não em nós mesmos? Nossas vidas não estão baseadas “no outro” e, se assim parece, não passa de uma fantasia que nós criamos e colocamos a força em nossas mentes. Será que nos conhecemos? Será que temos consciência da nossa dimensão, do nosso valor? Será que realmente sabemos quais são nossas qualidades e nossas fraquezas? Será que sabemos dizer às pessoas que nos cercam e convivem conosco quais são suas características?

Há pouco mais de duas semanas fui à missa de sétimo dia de um amigo que faleceu em um acidente de carro. Nunca vi Igreja alguma tão cheia, nunca presenciei uma missa tão bonita. A Igreja Nossa Senhora do Brasil, que não é pequena, lotou e só não sei dizer se pessoas ficaram do lado de fora, pois cheguei mais cedo e consegui lugar em um banco. Ali vi pessoas de todas as idades, muitos jovens claro, mas encontrei uma diversidade imensa de pessoas. Vi nos olhos de cada um uma tristeza inconsolável, na inquietude de todos percebi o medo e a angustia de não saber o que fazer, como agir, de não saber como seria a vida sem a presença física deste amigo. Senti a solidão que invadia, mesmo nos apertando para que todos pudessem prestar esta homenagem a uma pessoa tão especial, admirável, amigo e companheiro leal, alegre, divertido e muito feliz. Um irmão protetor, orgulhoso, ciumento, amigo, companheiro, parceiro, fiel, cúmplice (digo isto e muito mais, por ter sido testemunha ocular desta relação de irmãos).

Hoje fico com a dúvida. Será que o Thiago tinha consciência da sua dimensão? Será que minha avó tinha consciência da sua importância? Será que fui capaz de deixar isto claro para ela? Porque destinamos tanto tempo a falar, discutir e pensar sobre pessoas que entram em nossas vidas, mas cada qual a sua maneira e por seu motivo, optam por sair? Será que pensamos o suficiente sobre nós mesmos e isso inclui pensar sobre as pessoas que convivem conosco e ajudam a nos construir? Será que somos conscientes de nossa dimensão e também demonstramos àqueles que amamos e que nos amam o quanto são importantes, para que assim também saibam da sua dimensão?

Que triste passar pela vida sem conhecermos a nós mesmos e, ainda pior, sem dar a oportunidade para que os demais se conheçam. A facilidade que muitos de nós temos em dizer que odeia, ou não gosta de alguém me surpreende, mas me surpreende de uma maneira ruim, quando comparada a dificuldade de se dizer Eu Te Amo, seja por medo, insegurança, timidez…

Na música Gentileza, Adriana Calcanhoto canta “… amor, palavra que liberta, já dizia o profeta..”, acredito que devemos dizer mais vezes Eu Te Amo, mas sem banalização, dizer com a verdade que vem da alma e do coração. Talvez esteja sobrando amor no sentido de romance e faltando no sentido mais amplo, no sentido de amor coletivo, entre as pessoas e também no sentido de amor próprio. Eu não consigo entender tanta violência, guerra, desrespeito aos demais e aos próprios valores e princípios e tanto apego a coisas materiais, superficiais, voláteis… E o intangível, aquilo que não se mede, o inexplicável, o inesperado, o inesquecível que é o que nos faz explodir em emoções!?

Do fundo do meu coração, espero que outra música, Socorro, não se aplique a ninguém, “Socorro, não estou sentindo nada, nem medo, nem calor, nem fogo, não vai dar mais pra chorar, nem pra rir, socorro, alguma alma, mesmo que penada, me empreste suas penas, já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada, socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha, por favor, uma emoção pequena, qualquer coisa, qualquer coisa que se sinta, tem tantos sentimentos, deve ter algum que sirva, socorro, alguma rua que me dê sentido, em qualquer cruzamento, acostamento, encruzilhada, socorro, eu já não sinto nada, nada…”

Sobre tete a tete de menina

Fashion journalist
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Uma resposta para Sobre nós mesmos e aqueles que nos são importantes

  1. Tábata disse:

    Fer Moss… suas palavras me tocaram lá no fundo porque é basicamente sobre isto que venho refletindo e me cuidando na terapia…
    Será que é mais uma coincidência????
    É… acho que estamos MESMO nos REencontrando nesta vida tão “montanha russa”…
    E que bom que somos mulheres guerreiras pra enfrentar tudo isto e ainda sorrir com o coração!
    AMO-TE D+
    Da sua fã, amiga e irmã… Tá Bundchen =)

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